Demitir o cliente: quando devo fazer isso?
Caramba, como assim, né? "Demitir" o cliente? Tá doida?
Foi isso que pensei quando essa ideia me surgiu na mente durante um projeto.
Isso já aconteceu comigo em mais de um projeto de empresas grandes. Mas, nesse caso específico, o projeto seria ótimo para ganhar notoriedade para a minha empresa recém-criada.
Eu fiz de tudo: dei mais da metade de desconto no projeto, entreguei materiais extras sem cobrar, fiz ajustes ilimitados, estava totalmente à disposição… mas o projeto foi tirando a minha paz aos poucos.
Abri mão de tanta coisa que nem assinei contrato antes de começar, nem recebi antecipado, nem no meio do projeto, e fui deixando.. e não é que a pessoa me passou para trás, nem é esse o ponto.
De repente, comecei a pensar:
[Sméagol] “E se eu abrir mão desse projeto?”
[Gollum] “Como assim? Vai ser ótimo pra empresa.”
[Sméagol] “Tem razão…”
Me senti o próprio Sméagol discutindo comigo mesma.
Então resolvi: vou encerrar isso antes que piore para mim e o trabalho chegue num ponto sem volta. E abri mão do projeto.
Pensei muito nos prós e contras, no que eu sairia perdendo, mas valorizei uma coisa que eu não queria perder: minha paz.
E foi aí que eu comecei a refletir sobre isso.
O sinal mais claro: quando começa a tirar sua paz
Para mim, o indicador mais simples e extremamente confiável é: se o projeto começa a tirar sua paz, algo está errado.
Isso geralmente vem acompanhado de outros sinais, e todos eles costumam ser confusos.
No começo, a gente releva porque quer fazer dar certo, mas com o tempo só acumula.
Outro ponto é que flexibilizar demais, com a intenção de facilitar a relação, costuma ter o efeito oposto. Sem postura e estrutura, o projeto perde limites e o desgaste aparece.
Demitir um cliente não é abandonar, é ser responsável. Avisar com antecedência, entregar o que foi feito e permitir que o cliente siga com outro profissional é uma forma de evitar atrasos, frustrações e respeitar seus próprios limites. É uma decisão muito difícil, mas necessária.
O aprendizado que fica é simples: projetos precisam de acordo claro, tempo precisa ser respeitado e o trabalho precisa ser sustentável. Desconto não substitui estrutura, e boa vontade não substitui processo.
Quando vale a pena repensar?
Vale a pena repensar quando não há contrato ou alinhamento claro, o pagamento não acompanha o trabalho, a comunicação é inconsistente ou o projeto exige mais do que você pode entregar com qualidade. Principalmente quando continuar custa mais do que vale.
As vezes vale a pena segurar um pouquinho mais para ver se não só uma questão de alinhamento. No meu caso, eu segurei um mês e mesmo pedindo contrato, informações para emitir NF, nada era feito, apenas cobrado, por pura falta de gestão da parte da outra empresa.
No fim, demitir um cliente não é desistir, é escolher melhor onde colocar sua energia. Um bom projeto não é só aquele que paga, é aquele que funciona para os dois lados.





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